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Elvis, 43 Anos Depois
Elvis, 43 Anos Depois

Elvis, 43 Anos Depois

Elvis Presley's Graceland and the King's Memphis landmarks

Era o dia 16 de agosto de 77, por volta das 15 horas e 30 minutos, quando Elvis foi declarado oficialmente morto pelo Hospital Batista de Memphis. Poucas horas depois, Doutor Jerry Francisco, chefe da equipe médica, convoca a imprensa para realização de uma entrevista coletiva. Os fãs resistiram a acreditar, mas era verdade. Elvis, definitivamente, has left the building. De lá para cá, muita coisa mudou, o perfil dos fãs, os meios de comunicação social e, sobretudo, a maneira de produzir e consumir música.

Baptist Memorial Hospital- Memphis, Tn. Before implosion ...

Hospital Batista de Memphis

Quando Elvis morreu em 77, as novas mídias digitais estavam apenas começando. Naquela época, o protótipo do CD, outrora chamado de disco óptico, já existia nos laboratórios da Philips. Porém, somente ganharia popularidade na década de 80. De fato, o primeiro título de Elvis a ser comercializado em formato de CD remonta a 1983. Tratava-se de um box luxuoso de três CDs intitulado “Elvis: The Legend”, que fora produzido na Alemanha e lançado no mercado europeu. Todavia, o primeiríssimo disco de música popular a ser comercializado em formato de CD não é de Elvis, mas sim do grupo ABBA em seu oitavo e último trabalho de estúdio, o álbum “The Visitors” de 1981.

Elvis* - The Legend First Edition (1984, Box Set, CD) | Discogs

Elvis: The Legend

Em 77, quando Elvis morreu, a internet era muito diferente daquela que conhecemos hoje, pois era utilizada, basicamente, para o intercâmbio de dados oficiais entre setores do governo norte-americano. O uso de microcomputadores estava restrito às grandes corporações e departamentos do governo, pois a população, em geral, não possuía computadores em casa. A telefonia móvel começava a engatinhar por meio dos telefones automotivos, um tipo de telefone celular que era instalado no carro, mas que já era razoavelmente utilizado nos Estados Unidos e países da Europa. Também, em 77, estreava, pela primeira vez nos cinemas, o filme “Star Wars”, exitosa franquia de ficção científica consagrada até os dias de hoje. Era o tempo em que a Disco Music alcançava o seu máximo de popularidade. No Brasil, o gênero disco ficou conhecido como “discoteca”, estilo musical que se notabilizou nas vozes dos Bee Gees e no filme “Saturday Night Fever (Embalos de Sábado à Noite), também de 77”.

Star Wars Movie Poster | 1 Sheet (27x41) Original Vintage Movie ...

Star Wars,pôster do filme

Neste período, o Brasil ainda vivia sob o governo militar de Ernesto Geisel, penúltimo general a ocupar a presidência da república. O rock nacional, antes iniciado com a jovem guarda, estava adormecido, com pouca ou quase nenhuma expressão até meados de 1980. Cerca de 70% do repertório radiofônico eram ocupados por música internacional, incluindo disco music e baladas românticas. Músicas de Elvis também podiam ser ouvidas regularmente em programas populares de rádio, principalmente It’s Now or Never, Kiss Me Quick, Sylvia e Surrender. O resto da programação local era principalmente MPB, samba, forró de raiz e brega.

As gravadoras lançavam artistas nacionais com nomes em inglês, cantando em inglês para dar a impressão de serem artistas estrangeiros.

Vide o exemplo do saudoso cantor Jessé, fã de Elvis que nessa época cantava com o nome de "Tony Stevens".

Biografia de Tony Stevens | Last.fm

Nos Estados Unidos, a presidência era ocupada pelo democrata Jimmy Carter. No dia seguinte a morte de Elvis, Carter publicou uma nota de pesar, onde declarou (tradução literal): “A música e a personalidade de Elvis, que fundiu o estilo country dos brancos ao rhythm and blues dos negros, mudaram permanentemente a face da cultura popular norte-americana. Ele foi um símbolo de vitalidade, rebeldia e de bom humor do nosso país...”.

Elvis Presley phoned President Jimmy Carter while 'totally STONED ...

Elvis com Carter

Porém, desde aquela época até a presente data, as maiores mudanças aconteceram nos meios de comunicação social, incluindo a maneira de produzir e consumir música. Antes, cantores neófitos geralmente começavam na noite como crooners. Na medida em que ganhavam popularidade, encontravam algum espaço nos programas de rádio e apresentações mais numerosas. Por último, logravam os estúdios de gravação para lançamento de um disco, que era a consagração de qualquer intérprete que almejasse o estrelato. O cumprimento destas etapas funcionava como uma espécie de filtro ou prova de fogo, onde o artista ia gradualmente se aprimorando e obtendo reconhecimento público. Na medida em que o mercado fonográfico foi sendo massificando, estas etapas sequenciais foram subvertidas.

Hoje, o artista é pré-fabricado, imposto ao público de cima para baixo, e logo introduzido com o lançamento de um disco, seja ele físico ou, mais frequentemente, no formato digital.

Além de tudo isso devido a truques de estúdio, efeitos na voz e outras coisas que podem

até ser aplicadas em shows ao vivo qualquer um pode virar um astro ou um grande cantor hoje em dia

mesmo sendo desafinado e sem saber cantar uma nota quando na época de Elvis, era tudo "ao vivo"

até as gravações de estúdio ou seja ou o sujeito cantava bem ou não!

O disco físico caminha para o desaparecimento quase completo. As lojas de discos estão praticamente extintas do comércio, o que parece ser um caminho sem volta, irreversível. O futuro pertence ao mercado digital, onde um álbum ou disco de carreira pode ser fatiado em faixas que são vendidas separadamente. Esta nova realidade também se aplica à discografia de Elvis, cujo comércio de álbuns físicos já está restrito a um pequeno nicho de mercado formado por fãs devotos e colecionadores. Maior prova disto é a série especial de discos, o selo FTD (Follow That Dream), que é especializado no lançamento de material raro. A venda de discos FTD não é feita por lojas físicas comuns, mas sim por lojas muito especializadas neste tipo de material.

Elvis FTD LP by elvisfreak1967 | Discogs Lists

CD-FTD

As mudanças são tantas que até mesmo o disco digital está perdendo importância como meio de difusão do trabalho artístico. Muitas são as bandas e cantores independentes que preferem divulgar o seu trabalho abertamente por meio das redes sociais e canais do YouTube. Este cenário aponta para um futuro mais distante em que a produção fonográfica será livre e distribuída gratuitamente, obrigando o artista a sobreviver exclusivamente de shows e outras formas de apresentação. Some-se a tudo isto, a troca de arquivos pela Web, onde vídeos e discografias inteiras são compartilhados livre e gratuitamente entre os internautas.

No tempo de Elvis, as mídias físicas predominantes eram o LP (long play), o K7 e o single, aqui conhecido como disco compacto. O LP podia ser manuseado e apreciado no seu acabamento gráfico. Informações valiosas acompanhavam a mídia, a exemplo dos compositores, músicos, data de lançamento, letra e outros dados que constavam no encarte. Boa parte deste refinamento gráfico e fotográfico se perdeu com o advento do CD comum. Atualmente, onde o formato mp3 é majoritário, muitas pessoas sequer conhecem o título da música, tampouco o seu ano de lançamento ou álbum de origem. A música é simplesmente mais um arquivo mp3 perdido entre centenas de outros gravados num pendrive. Muitas vezes, ela não tem nome, nem rosto, tampouco história.

A música popular vive um momento dramático, tornando-se cada vez mais descartável, vazia e medíocre. Parece haver um esgotamento da criatividade, originalidade e estilo. Na grande mídia, a música romântica foi esvaziada ou severamente desfigurada. Ela perdeu harmonia, conteúdo e letra. O que sobrou são canções repetitivas, cansativas, de vozes gritantes e letras pueris. O mesmo se aplica aos ritmos dançantes, que foram substituídos por sons artificiais e batidas eletrônicas. Obviamente que bons compositores e intérpretes continuam a surgir e produzir música. Porém, na maioria das vezes, eles não obtêm o espaço e reconhecimento necessários. A TV e o rádio incutem nas pessoas um repertório insípido, e as pessoas, condicionadas a este repertório, passam a consumi-lo e apreciá-lo porque desconhecem algo de melhor.

A grande diversidade dos meios de comunicação, sobretudo após o advento da internet, levou a uma pulverização de gêneros e estilos musicais dos mais variados, saturando a mídia de conteúdo fugaz e de qualidade precária. Em síntese, pode-se dizer que vivemos numa ruína cultural, tanto no âmbito nacional quanto internacional. Como resultado, as condições necessárias para o surgimento de grandes astros parecem não existir mais. Diante de um cenário de tantas mudanças, cumpre-nos fazer uma reflexão: por que o legado de Elvis sobrevive inabalável passados mais de 40 anos? Como trazer Elvis para este novo cenário desafiador?

Penso que a reposta à primeira questão está na riqueza do legado de Elvis e na quantidade de fãs devotos que ele possui. Elvis foi pioneiro em muitas coisas. Foi o primeiro branco a cantar música negra em uma região de extrema segregação e preconceito raciais.

Para muitos, o primeiro videoclipe da história é de Elvis, a canção Jailhouse Rock. Ele também foi pioneiro em transmitir uma apresentação via satélite para todo o mundo, o show Aloha From Hawaii de 73. Elvis, como nenhum outro, popularizou o seu repertório por meio do cinema através dos filmes de Holywood. Tamanho era o prestígio de Elvis, que a RCA foi capaz de mover um estúdio de gravação para sua mansão a fim de que ele gravasse seus dois últimos álbuns. Isto era algo impensável naquela época. Pouquíssimos, talvez nenhum outro intérprete, tenha a estatura, o magnetismo e a presença de palco de Elvis, mesmo com todos os recursos e aparatos tecnológicos de hoje. Performances que pareceriam extravagantes se feitas por outros artistas, fluem de maneira natural e arrebatadora quando realizadas por Elvis. Ao longo da vida, Elvis gravou mais de 700 másteres, afora as gravações raras, takes alternativos e informais. Até hoje, é campeão absoluto em vendagem de álbuns, ultrapassando a soma de mais de 1 bilhão de discos.

Quadro Decorativo - 64x44 - Elvis Presley - Jailhouse Rock - R ...

Jailhouse Rock

Outra característica em que Elvis é imbatível é a voz, e que voz! O livro intitulado The Great American Popular Singers (Henry Pleasants) diz que a voz de Elvis cobria duas oitavas e mais uma terceira, indo desde o sol grave de um barítono até o si agudo de um tenor. Ele possuía uma extensão em ascensão de falsete que chega, pelo menos, a um ré bemol. Muitas vezes, Elvis atingia o "dó de peito", que corresponde a nota sol 3, feita com voz de cabeça, como se fosse um falsete. No artigo intitulado The Fifty Voices of Elvis (www.elvis.com.au), Jim Burrows diz que, em 23 anos de carreira, Elvis produziu, aproximadamente, cinquenta vozes diferentes, varrendo de cima a baixo o registro vocal. Se alguém, que nunca conheceu Elvis, ouvisse uma relação de músicas selecionadas, pensaria trata-se não de uma, mas de várias vozes distintas.

Porém, estes atributos não teriam o mesmo impacto se não fosse a devoção dos fãs, pois são eles que mantêm o legado de Elvis vivo e atual, ajudando a retroalimentar a indústria em torno do seu nome. Neste aspecto, Elvis possui uma qualidade em particular, pois soube cativar os seus fãs e admiradores como ninguém, tratando-os de maneira atenciosa, afável e extremamente educada. Muitos foram aqueles presenteados com joias, carros e objetos caríssimos. Some-se a tudo isto, o talento, o magnetismo e a beleza física, qualidades que acentuaram ainda mais a admiração a Elvis. Hoje, são os fãs, principalmente, que publicam vídeos no YouTube, mantêm homepages ativas na Web, organizam eventos, participam de redes sociais e movimentam um gigantesco e lucrativo mercado. Aqui, arriscamos dizer que Elvis plantou as sementes do seu legado quando foi capaz mobilizar um grande número de fãs em torno do seu nome. Astros que não tiveram a mesma habilidade foram relegados ao esquecimento, muitas vezes injustamente.

Graceland on Twitter: "Hey, #Elvis fans: did you meet Elvis? Are ...

Elvis com fãs

A participação ativa dos fãs também responde a nossa segunda reflexão. São eles, os fãs, e não simplesmente a indústria, que estão trazendo Elvis para as mídias sociais de hoje, apresentando-o ao público geral e às novas gerações. Esta exposição permanente nos meios digitais faz com que ele seja redescoberto pelas novas gerações. Neste sentido, a contribuição dos fã-clubes espalhados mundo afora é essencial, oferecendo uma alternativa válida para o público. Isto é, apresentando um repertório diferente daquele massificado e imposto pela mídia convencional.

O Brasil é sabidamente um grande celeiro de fãs, tanto que foi o país escolhido para sediar, no ano de 2012, a Elvis Experience, uma grande exposição pública de itens raros trazidos de Graceland. Na Paraíba, os fãs de Elvis estão representados pelo Almost Elvis JP, fã-clube cuja presidência é ocupada José Monteiro, ou simplesmente Elvis Monteiro, o seu nome artístico. Este dia 16 de agosto, data de falecimento de Elvis, é também a data de nascimento de Monteiro. Curiosamente, neste mesmo dia, iremos lembrar dos 43 anos sem Elvis, e celebrar 34 anos com Monteiro, verdadeiro soldado cruzado quando se trata de promover Elvis no estado da Paraíba. Enfim, cumpre-nos felicitar José Monteiro pelo seu feliz aniversário,

Elvis Monteiro

Elvis Monteiro

desejando-lhe muitas alegrias e êxito na condução do Almost Elvis JP, única agremiação especializada em Elvis no estado da Paraíba.

Viva Elvis! and Long Live The King!

Solidonio, 15 de agosto de 2020.